(Interior)mente

Grounding

Hoje decidi falar-vos sobre um tema que em tempos despertou a minha atenção e em pleno me transportou para o conhecimento do meu verdadeiro eu – o Grounding ou enraizamento inserido na minha formação de introdução à Psicoterapia Corporal.

 Antes de mais, importa esclarecer que a Psicoterapia Corporal, segundo a EABP, se foca no conhecimento e compreensão das relações dinâmicas entre a mente e o corpo possibilitando novas abordagens e relações na experiência humana.

Destacando desta forma, o tema escolhido sabe-se que o conceito de enraizamento, ou seja, a forma como estamos vinculados ao nosso corpo e à nossa vida surge associado ao conceito de grounding, desenvolvido por Alexander Lowen, após ter estudado a relação mãe-bebé e o seu reflexo nas relações ao longo da vida (Peixoto, 2013). Assim, este termo significa estar em contato com a terra e simboliza o modo como nos relacionamos e percebemos a realidade interna e externa. De acordo com Lowen (1972), o individuo que está em contato com o chão está em relação com a sua realidade, uma vez que, a realidade básica de cada um é o seu próprio corpo e é através deste que se vivência e reage ao mundo. Segundo o autor este ato implica o conhecimento do corpo, das suas expressões, da sua capacidade, abertura e, também, os seus padrões de tensão que permitem perceber as suas experiências e marcar a sua personalidade. Deste modo, os autores Cândido & Matos (2009) consideram que os exercícios de grounding facilitam a vibração e a circulação da energia vital, que provocam um aumento da sensação de segurança e permite ao sujeito estar em contato com a sua natureza mais primitiva libertando-se dos seus medos e bloqueios através da entrega total ao exercício. Remetendo novamente para o grounding e o vínculo (mãe-bebé), igualmente defendido por Winnicott (2006 in Peixoto 2013), construído nos primeiros anos de vida é essencial para a manutenção do equilíbrio, do enraizamento físico e emocional que irá acompanhar todas as fases de desenvolvimento humanas e afetar o modo como a pessoa interage. Note-se que, segundo a mesma autora, a vida emocional começa no momento da conceção, durante os nove meses de gestação ocorrem uma série de transformações e intimidades que vão guiar o organismo durante a sua evolução. Estas experiências ficam armazenadas no nosso corpo e manifestam-se através de formas de pensar, atitudes, gestos e posturas a que Reich chamou de carater. Para finalizar, voltando ou conceito em estudo, ser enraizado é estar no corpo, ter uma relação com o chão, com o mundo e com os outros e ser capaz de canalizar o fluxo de energia entre nós e o ambiente e vice-versa aumentando a nossa capacidade de conexão (Peixoto, 2013).

A título pessoal, a realização deste exercício permitiu-me uma entrega total ao mesmo, um reconhecimento e foco nos meus anseios do momento possibilitando à posteriori a libertação dos mesmos. Esta e outras técnicas de Psicoterapia Corporal permitiram-me crescer a nível pessoal, relacional e profissional negando a minha inicial apreensão em sair completamente da minha zona de conforto. Certamente que hoje, voltando atrás, faria a mesma escolha e reconhecendo que é fundamental libertar os nossos medos e problemas diários, mas também, é importante parar para pensar só em nós e no nosso mundo, encontrarmo-nos com nós próprios e com os nossos problemas, ou seja, fazer o nosso enraizamento. Daqui trago até hoje o ensinamento de que o psicoterapeuta corporal “estuda a mente que o corpo sente” e que devo procurar estabelecer uma relação de sintonia com o meu cliente sempre respeitando o seu espaço e principalmente o seu tempo, pois, cada um de nós leva o seu tempo a libertar-se dos seus medos, dos seus problemas e a querer partilha-los com alguém

 

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